Financiamentos do Badesc na mira do Ministério Público

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O Ministério Público do Trabalho apurou que servidores  da Agência de Fomento de Santa Catarina (Badesc) sofreram assédio moral para alterar pareceres a fim de liberar financiamentos para empresas que não conseguiam preencher os requisitos exigidos pela instituição financeira do governo catarinense. Os casos vêm ocorrendo desde 2005 e uma empresa que pegou R$ 9 milhões emprestados está sem pagar o financiamento.

“São gravíssimas as informações. Evidenciam um esquema de corrupção que opera há 11 anos dentro do Badesc para liberar financiamentos milionários, sob os olhares do governo Colombo. A instituição está sendo usada para fins políticos em atos que provocaram graves prejuízos financeiros”, afirmou o deputado estadual Dirceu Dresch (PT), na tribuna do Legislativo.

O deputado defendeu a apuração rigorosa dos fatos que foram denunciados  em uma reportagem   produzida pelo site Farol Reportagem, assinada pelo jornalista Lucio Lambranho. Uma auditoria feita pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e a inspeção realizada pelo Banco Central do Brasil (Bacen) confirmaram que empresas foram beneficiárias de operações de crédito mesmo oferecendo garantias “insuficientes” ao assumirem dívidas com a instituição financeira. Também revelam a concessão de empréstimos com taxas de juros inferiores às estabelecidas em normas internas do Badesc.

Em uma amostragem de contratos analisados, que giravam em torno de R$ 19 milhões, foram verificadas irregularidades em cerca de 30% desses contratos de financiamento. Entre as beneficiadas está a empresa Espaço Aberto, que contratou no Badesc empréstimo de R$ 9 milhões dando como garantia apenas os recebíveis em um contrato com o governo do Estado, no caso a recuperação da ponte Hercílio Luz. Como o governo do Estado rescindiu o contrato com a empresa em 2016, o financiamento deixou de ser pago.

“A pergunta que fica é até onde esse “assedio moral” serviu para a aprovação de projetos de financiamento?  Quantas empresas ou prefeituras não tiveram projetos aprovados devido ao rigor do Badesc, mas outras foram beneficiadas com a prática do assédio moral?  Estamos cobrando respostas dos órgãos de fiscalização e nosso mandato também estuda de que forma o legislativo pode atuar nesse caso”, afirmou Dresch na tribuna.

REPRODUÇÃO: Farol Reportagem
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