Irmãs Franciscanas se despedem de Irmã Lucy Broering

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Religiosa tinha 73 anos e faleceu depois de lutar contra câncer no fígado

Nascida em Florianópolis, porem criada em Petrolandia, faleceu no dia 13 de julho, ultima quinta-feira, Irmã Luci Broering. A religiosa que lutava contra um câncer no fígado, tinha 73 anos, e passou os últimos dias de vida internada na UTI do Hospital Bom Jesus.
A luta contra a doença iniciou em 2015, quando foi transferida para Ituporanga. Durante o tempo que esteve na Capital da Cebola, fez vários tratamentos, inclusive quimioterápico, em Florianópolis, ficando por um período internada no Hospital de Caridade e também vários dias na Fraternidade do Provincialado, em Barreiros.

Filha de Antônio Carlos Broering e Alzira Melo Broering, Irmã Lucy iniciou a caminhada vocacional em Angelina, em 1967. Emitiu Primeira Profissão Religiosa em 1973 e os Votos Perpétuos 1982. Em sua autobiografia a franciscana relata que a sua história vocacional foi fruto do cultivo da fé no seio familiar.
A religiosa fez a Faculdade de Pedagogia na UDESC, em Florianópolis. A partir da faculdade, se dedicou à educação até se aposentar. Foram 32 anos trabalhando na área educacional e quando se aposentou passou a assumir pequenas atividades internas, conforme a capacidade física lhe permitiam.
A despedida e o enterro de Irmã Lucy, ocorreu na tarde de quinta-feira, 13 de julho, na sede da Congregação das Irmão Franciscanas de São José, situada em Angelina. O corpo da religiosa foi enterrado no Cemitério das Irmãs Franciscanas, localizado na mesma cidade.

BIOGRAFIA DE IRMÃ LUCY BROERING

Irmã Lucy Broering, pelo registro de nascimento nasceu em Petrolândia – SC, no dia 21 de abril de 1946. Todavia ela escreveu em sua autobiografia que nasceu no Ribeirão da Ilha, em Florianópolis, no dia 21 de abril de 1944 e na sua certidão de batismo consta que foi batizada na Paróquia Nossa Senhora da Lapa, do Ribeirão da Ilha, no dia 26 de dezembro de 1944. Filha de Antônio Carlos Broering e Alzira Melo Broering. Entre os doze irmãos, ocupava o 4º lugar.

Irmã Lucy iniciou sua caminhada vocacional, ingressando no Aspirantado, aqui em Angelina, no dia 13 de março de 1967. Depois de dois anos, foi admitida ao Postulantado, aos 16 de março de 1969. Ingressou no noviciado canônico no dia 02 de fevereiro de 1972. Emitiu a sua Primeira Profissão Religiosa no dia 04 de fevereiro de 1973 e os Votos Perpétuos aos 17 de janeiro de 1982.

Na autobiografia escrita por ocasião do Jubileu de 40 anos de vida religiosa, Irmã Lucy relata que a sua história vocacional foi fruto do cultivo da fé no seio familiar. Como moravam longe da Igreja Matriz, participavam das missas na Capela da Comunidade, uma vez por mês. Nos outros domingos do mês participavam do terço. Quando completou seus 20 anos, disse ao seu pai que não queria se casar, mas sim que queria ser professora, indo para o convento. O pai não aprovou o seu pedido. Mesmo assim, ela foi até Ituporanga, falar com a Irmã Mônica Meurer, animadora vocacional, que a acolheu com muito carinho e logo lhe disse: podes te arrumar, que eu te levo para o convento. Mas, primeiro ela teria que vencer a resistência do seu pai. Foram mais de dois anos de luta até conseguir o consentimento do pai, para ir para o convento.

Nisto tudo, Irmã Lucy via a presença de sua mãe, fazendo tudo para que ela pudesse ir. Sua mãe era uma mulher decidida e forte. Enfrentava todos os obstáculos com maturidade e no silêncio. Tocada por este amor a Cristo, Irmã Lucy partiu decididamente para Angelina, deixando-se envolver por Deus, que lhe deu a força necessária para vencer os desafios e obstáculos durante toda a sua vida. Tinha como lema: “Tudo posso Naquele que me fortalece”.

Ingressou no Aspirantado com alegria e na certeza de que era isso que desejava para a sua vida. Trabalhava em tudo. Sabia cozinhar, lavar, costurar, fazer crochê, tricô, bordar, trabalhar na roça e até cortar cabelos. Não tinha medo de nada. Quando veio para Angelina tinha só a 4ª série, mas continuou os estudos no convento com toda a garra, pois desejava muito ser professora.

No ano de 1968 foi transferida para Barreiros para ajudar as Irmãs na cozinha e limpeza da nova Sede Provincial. Nesse tempo estudou no Colégio Wanderley Junior, de Barreiros. Ficou lá até a construção ficar pronta. Em seguida voltou para Angelina para ingressar no Postulantado, ficando quatro anos nesta etapa, devido à renovação do Concilio Vaticano II. Assim foram 6 anos até entrar no Noviciado.

Fez a Primeira Profissão em 1973 e foi transferida para a Fraternidade Bom Pastor, em Florianópolis, passando a trabalhar com a catequese de 1ª Comunhão na Paróquia do Bairro Agronômica e também no Ensino Religioso nos Colégios: Silvério de Souza e Padre Anchieta, em Florianópolis/SC. Por tudo isso se mostrava muito grata a Deus. Buscava diariamente forças na Palavra de Deus, para poder transmitir com fé, amor e carinho o que ensinava às crianças.
Fez a Faculdade de Pedagogia na UDESC, em Florianópolis. Se mostrava muito agradecida pela oportunidade de poder estudar e se dedicar à educação. Nutria especial devoção a São José, pois dizia que ele acolhia suas preces com muita simplicidade e bondade paternal, e lhe atendia em suas necessidades. A partir da faculdade, sempre se dedicou à educação até se aposentar.

Em 1982 emitiu os Votos Perpétuos e foi transferida para Corupá/SC, para trabalhar na Direção do Colégio Estadual Tereza Ramos; neste período morou na Fraternidade São José. Em 1985 foi transferida para Angelina, para assumir a Direção do Colégio Nossa Senhora. Em 1989 retornou a Corupá, assumindo a direção da Escola Básica São José. Trabalhava também na orientação das Catequistas da Paróquia de Corupá.

Em dezembro de 1997, foi transferida para o Conventinho São Damião, em Itaboraí – RJ, para coordenar os trabalhos da Escola do Apoio Fraternal São José do Iguá. Foi para ela um período de grandes provações, pois lhe custava muito viver naquele ambiente.

Aos 25 de janeiro de 1999 retornou à Fraternidade Bom Pastor, em Florianópolis, para tratamento de saúde, pois havia quebrado a perna em Itaboraí e precisava também fazer um bom tratamento da coluna. Ficou um tempo se locomovendo em cadeira de rodas, pois a osteoporose tomou conta da sua coluna, a ponto de não poder mais caminhar. Fez cirurgia da coluna em Novo Hamburgo – RS, no mês de janeiro de 2001. Depois deste tratamento, foi transferida para a Fraternidade Menino Jesus, em Florianópolis, onde permaneceu até o dia 28 de maio de 2015, quando precisou ser transferida para a Fraternidade Bom Jesus, a fim de receber os cuidados médicos necessários na nossa Unidade Hospitalar, em Ituporanga.

Em 2012, Irmã Lucy precisou fazer cirurgia para retirada de nódulo maligno no seio. Fez o tratamento de radioterapia e passou a tomar os comprimidos de quimioterapia todos os dias, durante cinco anos. Em 2015, seu estado de saúde começou a ficar cada vez mais complicado, também por conta da diabetes, que estava descontrolada. Passou a ser tratada no Hospital Bom Jesus de Ituporanga, onde permaneceu até o dia de hoje, quando foi chamada de volta à Casa Paterna. Durante o tempo que esteve em Ituporanga, fez vários tratamentos, inclusive tratamento quimioterápico, em Florianópolis, ficando por um período internada no Hospital de Caridade e também vários dias na Fraternidade do Provincialado, em Barreiros.

Irmã Lucy trabalhou por 32 anos na educação e quando se aposentou passou a assumir pequenas atividades internas, segundo suas forças e capacidade física lhe permitiam. Gostava muito dos trabalhos manuais. Era uma presença alegre, fraterna, descontraída e muito empenhada na atividade da educação e catequese.
Dos seus 73 anos de vida, 50 anos foram vividos na Congregação das Irmãs Franciscanas de São José. Neste tempo teve a graça de celebrar o seu jubileu de 25 e 40 Anos de Vida Religiosa Consagrada.

Ainda na sua autobiografia Irmã Lucy deixa registrada a sua profunda gratidão a Deus, às Irmãs, aos seus familiares e amigos que lhe ajudaram na sua caminhada; especial gratidão às Irmãs da Província de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que a acolheram e cuidaram dela, na saúde e na doença.
Irmã Lucy deixa também registrado que foi uma religiosa feliz e realizada, tanto profissionalmente, como vocacionalmente. Procurou irradiar a misericórdia de Deus, guardando no coração o tesouro precioso da vocação, cultivando-o pela participação na Eucaristia e por todos os exercícios espirituais próprios da nossa vida consagrada.

Muito obrigada, Irmã Lucy pelo seu testemunho de Irmã da misericórdia, dedicada à educação das crianças, adolescentes e jovens. Foi muito bom tê-la como nossa Irmã. Lá do céu, olhe por nós, suas coirmãs, por seus familiares e amigos e por todos os educandos e educadores. Peça a Deus que continue chamando muitas jovens para o serviço da Misericórdia, em nossa Congregação.
Descanse na Glória e Paz do seu Senhor Ressuscitado!

Angelina, 13 de julho de 2017.

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