Médico nega negligência em atendimento de gestante

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Em entrevista ao programa Linha Aberta da Rádio Taió FM – 87,9, ao meio dia desta quarta-feira, 29/11, o médico Eduardo Rubim Schwab Leite denunciou situações da secretaria de Saúde que ele considera um absurdo. Ele concedeu a entrevista como direito de resposta às acusações da secretária municipal de saúde, Rosecler Poleza Círico, em entrevista no mesmo programa.

Doutor Eduardo é médico concursado do município de Taió há 11 anos, atualmente, presta serviço na unidade do ESF da localidade de Passo Manso. Foi lá que ele atendeu a paciente Margarete de Lima, grávida de oito meses no dia 21 de novembro.

A gestante e o marido, Leodir Siqueira, vivem no Assentamento Miguel Fortes da Silva e vieram à Taió na manhã do dia 21, onde tinham uma consulta de pré natal agendada na Secretaria de Saúde. Chegando lá, segundo relatos do casal, foram orientados a voltar no ESF da localidade de Passo Manso, pois a médica estaria de férias. “Chegamos ali no São Francisco e não fomos consultados, mas poderiam ter arrumado outro médico, já que a doutora Luiza () não estava”, disse Siqueira.

Eu tenho meu celular que funciona 24 horas, ninguém avisou que a consulta estava cancelada, podiam ter me ligado, é difícil pra gente se deslocar de tão longe e depois ser jogada de um lado para outro”, relatou Margarete. O marido disse que a situação é difícil e que é direito de qualquer pessoa ser atendida.

Chegando em Passo Manso, ela foi atendida pelo médico Eduardo Rubim Schwab Leite, que constatou que a gravidez era de alto risco, e no mesmo instante, encaminhou a paciente de volta à Taió. O médico relatou o atendimento em um documento assinado: “A paciente, por estar em acompanhamento obstétrico por alto risco, a mesma procurou a UBS (Unidade Básica de Saúde) e esta unidade não é capacitada para acompanhamento de pré-natal de alto risco e não é de atribuição deste profissional o acompanhamento deste tipo de gestação”. Margarete disse que estava com dores e que os exames apontaram que estaria com diabetes alto, o que poderia causar problemas na gestação.

Secretária Rosecler Poleza Círico

A secretária confirmou que havia o agendamento e cobrou da sua equipe, disse que existem funcionários que fazem “maldade”. “Quem me conhece sabe que eu gosto de falar com o povo, tanto que a minha sala é em frente a secretaria, onde o povo me vê. Quando tem alguma coisa errada eu não gosto de mandar alguém, eu vou lá resolver. Essa paciente se consultou com a doutora Luiza (Strelow Pabst) que trabalhava na secretaria com credenciamento e atendia às gestantes de alto risco”.

Rosecler relatou que os ESFs possuem equipe completa para atender os pacientes. “A médica respondeu que a gestante teve uma gravidez tranquila sem nenhum problema e pediu os exames de sangue e de rotina”. Para a secretária houve má fé dos profissionais em Passo Manso, já que ela não estava com dor, não havia sangramento e nenhuma anormalidade constatada. No mesmo dia, a paciente foi encaminhada a um médico do Pronto Atendimento que fez a consulta.

 

Dr. Eduardo Rubim Schwab Leite

Diante da situação, o médico( Eduardo Rubim Schwab Leite,)  usou o mesmo espaço da emissora para relatar a sua versão. “A história que eu neguei atendimento é totalmente inverídica. A partir do momento que o paciente entra no consultório, se abre o prontuário ele foi atendido. Pode ser que o atendimento não é o que é secretária queria, mas, foi atendido”.

Schwab Leite relatou que a paciente já tinha sido atendida, quando tinha com 20 dias de gestação pela obstetra. “Não sei dizer porque, eu nunca recebi um laudo, um encaminhamento, nada, nem um telefonema foi encaminhado de volta”.

Na consulta  de Margarete no dia 21, o médico constatou que a glicemia da paciente estava alterada. “Para a medicina, qualquer teste de diabetes que vá acima de 140, você é diabético. Eu não sou obstetra eu não tenho embasamento científico para dizer se uma alteração desse nível é uma diabetes gestacional ou não, quem tem que dizer isso é o obstetra, por isso que ele existe”.

Ele disse que diante dos fatos, procurou o Ministério Público para relatar a situação, pois isso é “crime contra saúde pública”. Doutor Eduardo falou que no mesmo dia, por volta das 14 horas, recebeu a ligação do médico que estava no Pronto Atendimento Municipal.

“Não conheço esse médico pessoalmente, sei que ele é formado desde janeiro deste ano, mas ao telefone me garantiu que tinha entrado em contato com a doutora Luiza. Que a mesma tinha assegurado que a gravidez da paciente não era alto risco e que ele estava me devolvendo o paciente. Nada foi por escrito, como sempre”, argumentou o médico.

Ele afirmou que o procedimento adotado é “totalmente errado”, o certo é o encaminhamento de um médico para o outro, sempre por escrito e assinado. “É facultado outro médico aceitar ou não a pessoa, se eu não aceitar ela continua sendo do outro profissional. O CRM também diz que eu não posso renunciar da minha liberdade profissional se eu acho que eu não sou capaz de fazer uma neurocirurgia eu não sou obrigado a fazer. Mesmo que eu seja neurocirurgião eu não sou capaz de fazer isso, eu não sou obrigada a fazer. Mas aqui na cidade é o inverso, eles passam pro povo a imagem que eu posso atender tudo”, finalizou.

TEXTO: Alexandre Salvador

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