Professora Leonice Back Gerber ganha nome na Praça

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O palco localizado na Praça João Machado da Silva,  ganhou o nome de  “Espaço Cultural Professora Leonice Back Gerber”. De autoria do vereador Jair Alberto das Neves, o Jinho, a iniciativa quer incentivar as atividades culturais e de lazer, como teatro, desenhos, pinturas, cantos, música, poesia, entre outras.

Segundo o texto, o palco será o espaço fixo das apresentações e demais atividades, mas haverá ainda um dimensão itinerante com o mesmo nome, organizada pela secretaria de Educação e Casa da Cultura Adele Glatz. “Todas as atividades serão gratuitas ao público, sendo expressamente proibido cobrança, exceto nos casos de arrecadações de cunho humanitário”, determina o artigo 3º do PLO.

Na justificativa, o autor descreve um perfil da professora Lenice Back Gerber como exemplo de mulher, mãe, educadora e professora. “Tinha entre outros atributos, forte inclinação com a cultura, música, pesquisa, teatro, literatura e artes, deixando um currículo de referência para toda a comunidade escolar e sociedade taioense”, descreve o texto que teve aprovação unânime na Comissão Permanente de Justiça e Redação na última segunda-feira, dia 23.

 

Quem foi Leonice Back Gerber?

(Por Wanderlei Salvador)

A Professora Leonice Back nasceu em Salete, no dia 12 de abril de 1959, filha de Aloisio Vendelino Back e Leony Back. Seu pai era professor e foi chamado para dar aulas na localidade de Alto Volta Grande, levando a esposa e filhos.

O professor Aloísio era filho de Amália e Alberto Back e nasceu em Imaruí, mas ainda criança sua família acompanhou as ondas migratórias do sul de Santa Catarina, estabelecendo-se em Ribeirão Grande, atual Salete, quando também estava iniciando o povoamento de Santa Margarida, Rio Herta, Rio Wildy, Rio Waldrich e Rio do Campo.

Do que Leonice relatava aos filhos, a lembrança de seu pai, Professor Aloisio VendelinoBack era uma pessoa muito educada, gentil e culta, e era muito respeitado na comunidade de Volta Grande e Alto Volta Grande, onde lecionava.

Na primeira fase de sua vida como criança, a pequena Leonice viveu plenamente feliz, morando no interior, até a perda trágica de seu pai, vítima de acidente, quando tinha por volta de 13 anos de idade.

Na sua adolescência, Leonice adorava pescar com seu pai, nas águas límpidas onde nascem as cabeceiras do Rio Taió. Jáno dia do velório, a mãe e os filhos deixaram a localidade de Alto Volta Grande e se mudaram para o centro da cidade de Taió, iniciando uma fase muito difícil de adaptação.

Ela ficou muito tempo acreditando que um dia o pai voltaria para casa.

Quem sabe, por ter perdido seu pai muito cedo, talvez ela quisesse compensar isso na criação dos seus filhos, cuidando, zelando, educando e protegendo.

Era uma educadora de extrema percepção e tentava mostrar aos filhos como a vida poderia ser dura e ingrata. Os filhos lembram dessa proteção materna, como mostras de sua humildade, cortesia, honestidade, lealdade e o exemplo que deu à todos, quando voltou a estudar.

Era uma pessoa incansável, que resolveu voltar aos estudos com 40 anos de idade, quando ingressou na universidade, pois sentia que podia muito mais.

Antes de começar a faculdade ela se dedicava aos cuidados dos filhos e da casa.

Graduou-se, pós graduou-se e em pouco tempo já exercia sua profissão com total dedicação e competência. Ela zelava por seus alunos na formação do caráter, estimulando a todos que se tornassem pessoas responsáveis, refletindo assim também nos filhos, que agora repetem aos seus netos.

Salvo seu medo de trovoada, que era exagerado ao ponto de colocar os filhos debaixo da mesa da cozinha durante os temporais, o restante ela dominava com maestria. Quando ela tornou-se professora, Andrei, Walmoli e Casiano deixaram de ser seus únicos três filhos. Dali em diante todos os seus alunos eram como seus filhos também.

Com certeza iniciou os estudos para realizar seu sonho de ser professora, pela lembrança e influência de seu pai, e neste período, faltava tempo para se dedicar a cozinha, mas fazia questão de perguntar o quequeriam de almoço no sábado que era seu dia de cozinhar. Os pedidos variavam, principalmente por panquecas, macarrão caseiro e nhoque. Fazia bolachas de natal, orelha de gato, pães, rosca, amendoim na pascoa, etc.

Outra impressão marcante para os filhos era sua mãe com o tricô. Fazia casacos, calças e meias de lã para ajudar na renda da família. Fazia em montes e saia vender de bicicleta na praça. Tinha uma mão para cozinhar, e fazia pratos deliciosos, que eram apreciados por todos e na família reconheciam isso, dizendo que era a verdadeira substituta da avó Gerber.

Ainda dona de casa, acordava de madrugada para tricotar numa máquina que fazia muito barulho, ainda mais numa casa de madeira. Sua habilidade era tanta que fazia tricô assistindo televisão e conversando como se fosse automático.

Outra impressão marcante de Leonice era o cuidado com o seu jardim, e sempre que podia estava trabalhado em suas flores. Mostrava isso, para seus seguidores na página pessoal do Facebook onde ela mostrava o cuidado das plantas, nas fotos postadas. Sempre observadora, atenciosa, preocupada e preparada para solucionar qualquer problema, sem deixar transparecer sofrimentos ou angústias.

Era comum ouvi-la relatar em casa, sobre alunos com problemas, alunos inteligentíssimos, alunos que ela comparava com os próprios filhos, sempre tentando ajudar no crescimento intelectual e humano. Via-se no olhar dela e nas caixas de cartinhas que recebia de seus alunos o seu amor pela profissão que escolheu.

Por onde andava era reconhecida pelas crianças e pelos pais dos seus alunos. Sempre com sorriso no rosto não se cansava de contar os acontecimentos da escola e dos alunos. Muitas poucas vezes deixou transparecer algo que lhe incomodava, continuava irradiando alegria por pior que fossem seus problemas.

Era sempre recebida com tanto carinho que surpreendia a família, tamanha admiração pela professora. Ela se envolvia sempre na luta pelos direitos dos professores e não perdia uma manifestação onde se estivesse pleiteando tais direitos.

Hoje, mais amadurecidos, os filhos conseguem enxergar coisas que antes não eram assim tão visíveis. Esta visão faz crescer o significado de cada “não” recebido, de cada conselho, de cada atitude defronte à problemas, e do seu papel de mãe, que moldou seus filhos e alunos. Hoje, são pessoas de fé, pessoas melhores, são mulheres e homens formados, corretos, trabalhadores e comprometidos com suas famílias.

Leonice trabalhou durante 16 anos e meio, como professora 20 horas, no município de Taió entre os anos 2000 a 2016, quando faleceu.

Suas últimas atividades foram na Biblioteca a escola Erna Heidrich, que ela iniciou a organização e catalogação de livros e estimulava os alunos à leitura e pesquisa

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