Moro preparou dossiê de conversas com Bolsonaro

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Sergio Moro contará neste sábado à Polícia Federal os bastidores de 15 meses de desavenças que teve com Jair Bolsonaro em torno de diferentes temas relacionados ao combate à corrupção, em especial em relação à discordância de ambos sobre o comando da corporação.

Moro tem todo o histórico de seu WhatsApp gravado, antes e depois do ataque hacker de que foi vítima no ano passado, e nele áudios, conversas, links e imagens trocadas com o presidente. O ex-ministro já começou a organizar o acervo para entregar à PF voluntariamente.

Conforme mostrou Bela Megale, Moro será ouvido no fim da manhã deste sábado em Curitiba, provavelmente na Superintendência da PF em Curitiba, por dois delegados do Serviço de Inquéritos Especiais (Sinq), responsável por investigar pessoas com foro privilegiado — como Bolsonaro.

Também participarão da oitiva três procuradores designados pelo procurador-geral da República Augusto Aras para acompanhar todas as diligências desta investigação: João Paulo Lordelo Guimarães Tavares, Antonio Morimoto e Hebert Reis Mesquita.

As divergências entre Bolsonaro e Moro

Foto de Gabriela Biló /Estadão Conteúdo

Bolsonaro avisou a Moro que ele mesmo escolheria um substituto para a direção da Polícia Federal. Embora a indicação para o comando da PF seja uma atribuição do presidente, tradicionalmente é o ministro da Justiça quem escolhe.

Valeixo foi escolhido por Moro para o cargo ainda na transição, em 2018. O delegado comandou a Diretoria de Combate do Crime Organizado (Dicor) da PF e foi Superintendente da corporação no Paraná, responsável pela Lava Jato, até ser convidado pelo ministro, ex-juiz da operação, para assumir a diretoria-geral.

Interlocutores de Valeixo dizem que a discussão sobre sua saída iniciada no começo do ano não teria relação com o que aconteceu no segundo semestre de 2019, quando Bolsonaro tentou pela primeira vez trocá-lo por outro nome. Na ocasião, o presidente teve que recuar diante da repercussão negativa que a interferência no órgão de investigação poderia gerar.

No ano passado, após Bolsonaro antecipar a saída do superintendente da corporação no Rio de Janeiro, ministro e presidente travaram uma queda de braço pelo comando da PF.

Em agosto, o presidente antecipou o anúncio da saída de Ricardo Saadi, justificando que seria uma mudança por “produtividade” e que haveria “problemas” na superintendência. A cúpula da PF contradisse o presidente. Nos dias seguintes, Bolsonaro subiu o tom. “Quem mandasou eu”, chegou a dizer.

28 de fevereiro de 2019 – Moro revoga nomeação. Especialista em segurança pública, Ilona Szabó havia sido indicada pelo ministro para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária. O ministério informou que a revogação foi provocada por “repercussão negativa em alguns segmentos” da sociedade.

16 de agosto de 2019 – Bolsonaro anuncia troca na PF – Sem o conhecimento da cúpula da PF, Bolsonaro anunciou a troca do superintendente da PF no Rio, o que provocou uma reação na cúpula da polícia.

19 de agosto de 2019 – Presidente transfere Coaf para o Banco Central – Bolsonaro transferiu o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) do Ministério da Justiça, chefiado por Moro, para o Banco Central. O Coaf é defendido pelo ministro como instrumento no combate à corrupção

22 de agosto de 2019 – Bolsonaro ameaça trocar diretor – Bolsonaro disse que poderia tirar Maurício Valeixo do cargo de direção. “Ele é subordinado a mim, não ao ministro, deixar bem claro isso aí”, afirmou o presidente.

 

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