Texto de professora chama deputado de oportunista

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no twitter
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp

A professora Elaine Sallas, escreveu um texto, contra-argumentando sobre o Projeto de Lei apresentado pelo deputado estadual João Amim do PP.

Para refletirmos : Lendo ontem o PL do Dep João Amin sobre o retorno das aulas percebi duas coisas bem sérias:

A primeira é o total desconhecimento do funcionamento real de uma escola. Seja ela em que instância for. Turmas com 8 estudantes? Rodízio de aulas em dias da semana? Insumos para garantir higienização? Higienização de pia, vaso sanitário e torneiras a cada estudante que use o banheiro? Cada turma fazer refeição separadamente? Não ter aglomeração de famílias na porta da escola?
Bom, a dinâmica escolar em termos de estado é beeeeemmm precária. Faltam recursos humanos, faltam materiais básicos que grande parte das vezes as APP precisam suprir. Falta infra estrutura e manutenção, faltam salas de aula. A merenda é terceirizada (e muitas vezes o suco com bolachinha é servido como algo nutritivo).

Querido deputado trabalhamos em regime de super lotação, com salas que chovem dentro, com crianças em situação de extrema vulnerabilidade. Com professores adoentados por conta do sucateamento imposto por este Estado a nossa carreira. Não recebemos o piso nacional que é lei, não temos plano de carreira respeitado. Não temos hora atividade. Temos quase 50% do quadro de professores em contratos temporário ( o que é ilegal). Temos índices altíssimo de adoecimento em nossa categoria. E isso porque não somos considerados professores, e sim mão de obra excusa aos olhos do lindo e belo Estado de Santa Catarina.

A segunda coisa é que a PL do “nobre” deputado se baseia no Artigo 6 da Constituição que versa sobre os direitos básicos da população brasileira. Logo se não temos habitação garantida para toda a população ( são mais de 500 mil pessoas sem teto); se não temos alimentação básica para toda a população (voltamos a linha da miséria); se não temos direitos trabalhistas garantidos ( são 12,3% de desempregados); se 50% da força de trabalho no Brasil não tem direitos básicos como previdência; se não temos segurança pública e as comunidades são invadidas por PMs genocidas; se não temos mulheres com seus direitos básicos garantidos, como respeito ao seu próprio corpo, direito amamentar em público sem ser julgada, garantia de que o progenitor cumpra suas obrigações paternas; se temos crianças sem uma infância digna como prevê o ECA.

Se temos a negligência do Estado aos desamparados ( só na passarela em Florianópolis a perspectiva de atendimento diário de pessoas em situação de rua passa de 600 pessoas). Se não temos condições de lazer e cultura dignamente por não haver investimento público decente para o ecossistema cultural.

Por tudo isso que está previsto na Constituição e não é cumprido pelos estados e a federação de forma descente e abrangente o senhor deputado vem falar que teremos condições reais de aplicabilidade desse seu projeto de lei esdrúxulo. Ainda mais com o projeto contínuo de destruição da educação pública, estatal, gratuita, laica, de qualidade e socialmente referenciada? Com o bombardeio as Universidades, Institutos federais e a pesquisa brasileira.

Eu desafio o senhor a percorrer as escolas públicas do Estado e ver o que falta nelas, antes de propor uma lei que fere diretamente a saúde de milhares de crianças e adolescentes e suas famílias. Eu desafio o senhor a também fiscalizar e legislar de forma descente sobre tudo que falta para suprir todas as demandas previstas no artigo 6 da Constituição, que esse Estado não cumpre.

Depois que o senhor fizer isso talvez tenha legitimidade para vir propor PL sobre Educação. E uma dica, não vá na onda do aproveitando de pautas sem saber o terreno que está pisando, isso chama-se oportunismo político.

Elaine Sallas

Comentários