Perfil de moça bonita é usado para extorquir homens casados

A investigação teve duração de quinze meses e constatou o crime em vários municípios de Santa Catarina. 

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Jornalista Alexandre Salvador – Especial

Uma investigação da Polícia Civil de SC,  desmontou uma quadrilha que praticava  extorsão sexual em série, pela internet, usando perfis falsos, de garotas, no Facebook. A investigação teve duração de quinze meses e constatou o crime em vários municípios de Santa Catarina. 

A organização criminosa executava complexa articulação para extorsão de vítimas, intimamente expostas em enganosas trocas de mensagens por aplicativo. A ação que prendeu integrantes da quadrilha,  na terça-feira, 07/07, em Criciúma faz parte da Operação Aletheia. A investigação  apontou indícios dos crimes de organização criminosa, extorsão, lavagem de dinheiro, falsidade documental/ideológica e corrupção de menores. 

A reportagem do Site Alto Vale Agora,  confirmou com três advogados que os criminosos também fizeram vítimas em Taió. Os homens casados procuram os advogados depois que foram ameaçados a depositar dinheiro em contas bancárias do Rio Grande do Sul e São Paulo. 

Também contatamos algumas pessoas que foram vítimas do esquema. Em troca da exclusividade, mantivemos o anonimato. 

“Vi que a menina era bonita, e me pediu para ser amiga no Facebook, depois começou a puxar conversa pelo messenger. Pediu o número do whatsapp. Eu me empolguei e dei trela pra ela. Daí me pediu se podia mandar foto de nudes, eu deixei e ela também me pediu. Depois disso, o padrasto dela entrou na conversa dizendo que ela era de menor, me apavorei”.  

 A atuação dos criminosos começa com  a criação de perfis falsos de mulheres jovens em redes sociais. Estes perfis são utilizados para adicionar e arrebanhar potenciais vítimas. As conversas migravam para outros aplicativos de mensagens, onde eram realizadas conversas de cunho sexual e trocas de fotos e vídeos íntimos.

Depois, vem a ameaça. Com o perfil fake, os criminosos conseguem identificar esposas e parceiras, e se caso a vítima não depositasse  o dinheiro, poderiam enviar fotos e prints das conversas para as companheiras. Com medo de exposição, a maioria das vítimas sequer registra Boletim de Ocorrência.  Um dos advogados ouvidos pela reportagem, disse que pelo menos uma dúzia de clientes o procuram para saber o que fazer.  “Pensa na pressão que os bandidos fizeram com meu cliente”.

A investigação apontou, ainda, que o grupo simulava que os pais da suposta interlocutora tiveram acesso às conversas e vídeos. Alegavam que a menina era adolescente e, a partir daí, passavam a extorquir dinheiro para que o conteúdo íntimo não fosse divulgado para familiares da vítima ou para a polícia. O grupo assumia identidade de policiais e até criava mandados de prisões para dar veracidade aos golpes. Com medo, as vítimas realizavam pagamentos de grandes quantias em contas bancárias. Em uma das contas do grupo, a movimentação mensal superou os R$ 80 mil.

A operação no sul, do Estado foi coordenada pelo Delegado de Polícia Yuri Miqueluzzi, titular da DRR/DIC. Quatro pessoas envolvidas tiveram a prisão preventiva decretada. Foram cumpridos, ainda, oito mandados de buscas em residências.  

O trabalho investigativo apurou a participação de, pelo menos, seis pessoas no golpe. Os cumprimentos das prisões e buscas tiveram a participação de 50 policiais civis, com atuação de integrantes da DRR/DIC, DRE/DIC, DH/DIC, CORE (Recursos Especiais da PC), SAER (Helicóptero da PC), 1ª DP, 2ª DP e DPCAMI de Criciúma, DP de Forquilhinha, DP de Içara e DP de Balneário Rincão.

O nome da operação Aletheia é uma referência a um personagem da mitologia grega associada à verdade. Citada em uma das fábulas de Esopo, com o ensinamento de que algo falso pode às vezes começar com sucesso, no entanto, com o tempo, a verdade “Aletheia” prevalecerá.

Delegado de Polícia Yuri Miqueluzzi, titular da DRR/DIC de Criciúma fala sobre a Operação Aletheia:

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