Quem é o pastor indicado para o Ministério da Educação

Atualmente, ele é membro do conselho deliberativo do Instituto Presbiteriano Mackenzie, entidade mantenedora da universidade.

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O presidente Jair Bolsonaro nomeou na sexta-feira (10) o pastor
Milton Ribeiro para comandar o Ministério da Educação. O
anúncio foi feito na página do presidente no Facebook e
publicado em edição extra do Diário Oficial da União.

A indicação é uma aposta de Bolsonaro após duas tentativas
frustradas para comandar o MEC desde a saída de Abraham
Weintraub, em 18 de junho. Integrante da Comissão de Ética da
Presidência, o novo ministro chega ao governo em um momento
difícil para o MEC.

Com a pandemia do novo coronavírus, escolas estão fechadas e
o planejamento educacional do ano todo foi afetado. O Enem
(Exame Nacional do Ensino Médio) de 2020 precisou ser
remarcado para o início de 2021.

Além disso, decisões importantes sobre o Plano Nacional de
Educação aprovado em 2014 e a renovação do Fundeb, fundo
que é o principal mecanismo de financiamento da educação
básica, atualmente travado (/expresso/2020/02/22/Quais-asmudanças-propostas-pela-Câmara-no-novo-Fundeb) na
Câmara dos Deputados, estão na alçada do novo ministro.

Quem é o novo ministro da Educação do governo Bolsonaro

De acordo com seu currículo na plataforma Lattes, Ribeiro é
graduado em Teologia e Direito, tem mestrado em Direito pela
Universidade Mackenzie e doutorado em Educação pela USP
(Universidade de São Paulo). O novo ministro foi vice-reitor do
Mackenzie.

Atualmente, é membro do conselho deliberativo do Instituto
Presbiteriano Mackenzie, entidade mantenedora da
universidade. Ele também é pastor da Igreja Presbiteriana de
Santos, litoral de São Paulo.

Além de Ribeiro, outro nome ligado ao Mackenzie integra o
governo. Benedito Aguiar assumiu  em janeiro de 2020 a
presidência da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de
Pessoal de Nível Superior), órgão do Ministério da Educação
que coordena pesquisas de mestrado e doutorado no Brasil.

Aguiar é conhecido pela sua defesa do ensino do “design
inteligente”, perspectiva teológica sobre a origem das espécies
que tenta criar um falso contraponto com a Teoria da Evolução.
De acordo com essa visão sem comprovação científica, a vida no
universo seria obra de um “ser inteligente e superior”, numa
nova roupagem do criacionismo.

A escolha de Ribeiro foi apoiada por membros da bancada
evangélica. O MEC é alvo de disputa entre os diferentes grupos
que compõem o governo. Ricardo Vélez Rodríguez, ministro
entre janeiro e abril de 2019, e Abraham Weintraub, sucessor
que ocupou o cargo até junho de 2020, eram ligados ao
polemista Olavo de Carvalho e tinham o apoio da ala religiosa.
“Acho um currículo excelente, tecnicamente competente de
currículo para assumir cargo. E de princípios vão ao encontro
com bandeiras do presidente e com o que a gente acredita. Acho
que vamos viver de paz na educação”, disse o deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), líder da da frente evangélica, ao jornal
Folha de S.Paulo.

O pastor Silas Malafaia, que tem amplo trânsito no governo,
afirmou que Ribeiro foi indicação do ministro da Justiça e que
não há proximidade com os evangélicos. “Não tem nada a ver
conosco”, disse o pastor também à Folha.

Ribeiro foi indicado a Bolsonaro por Jorge Oliveira, ministro da
Secretaria-Geral de Governo. O ministro da Justiça, André
Mendonça, que é pastor presbiteriano, também endossou a
escolha. Não constam no currículo do ministro informações sobre
atuação na docência nem temas relacionados a políticas de
educação ou gestão pública.

Um aceno à bancada evangélica

Ribeiro integra a Comissão de Ética Pública da Presidência da
República desde maio de 2019, quando foi nomeado ao cargo
por Bolsonaro. Ele foi a primeira escolha da atual gestão
presidencial.

O colegiado criado em 1999 é um órgão consultivo do
presidente e de seus ministros, voltado para assuntos de ética
pública. Formado por sete conselheiros, todos indicados pelo
presidente da República, o colegiado, entre outras funções,
fiscaliza a conduta ética de altas autoridades de Estado como
ministros, dirigentes de estatais e autarquias e secretários
ocupantes de cargo. As condutas do presidente e do vicepresidente, porém, não são analisadas ali.

Em janeiro de 2020, Ribeiro votou a favor do arquivamento do
caso que apurava a suspeita de conflito de interesse envolvendo
Fabio Wajngarten, chefe da Secretaria de Comunicação Social
do Planalto. A empresa de Wajngarten mantinha contratos com
agências e TVs que, por sua vez, recebiam dinheiro do governo,
inclusive da pasta que ele comanda.

Ribeiro é o quarto nome indicado por Bolsonaro para ocupar o
Ministério da Educação. A pasta tem sido alvo de disputa entre
a chamada “ala ideológica” do governo, que mantém
proximidade com o polemista Olavo de Carvalho, e a ala militar.
Primeiro nome a ocupar o MEC, Ricardo Vélez Rodríguez foi
demitido após pedir que escolas filmassem alunos cantando o
hino nacional e entoassem o lema do atual governo.
Assim como Vélez, Weintraub era uma das figuras mais
contestadas do primeiro escalão do governo federal, mas
agradava aos setores mais radicais dos apoiadores do
presidente, incluindo seus filhos.

Sua situação ficou insustentável  a partir de maio de 2020, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal Celso de Mello divulgou a íntegra de uma reunião ministerial ocorrida no Planalto no mês anterior.
O vídeo faz parte do inquérito que apura suspeitas de
interferência política de Bolsonaro na Polícia Federal.

Num dos trechos, Weintraub chama os integrantes do Supremo
de “vagabundos” e defende mandá-los para a prisão. O então
ministro foi demitido e, como compensação, ganhou uma
indicação para o cargo de diretor-executivo no Banco Mundial,
nos Estados Unidos.

As disputas em torno do MEC

Weintraub é alvo de um inquérito aberto em 14 de abril a
pedido da Procuradoria-Geral da República para investigar um
suposto ato de racismo. Em postagem numa rede social no dia 4
de abril, ele usou o personagem Cebolinha, da Turma da
Mônica, para fazer chacota da China. O caso está na primeira
instância.

Após a saída de Weintraub, Bolsonaro escolheu Carlos Decotelli
para o cargo. O novo ministro, apoiado pela ala militar, era um
ponto de inflexão para o MEC. Erros em seu currículo, como um
doutorado inexistente, minaram a escolha e ele acabou pedindo
demissão.

O caso de Decotelli, que é negro, acabou despertando um debate
sobre racismo estrutural. Isso porque outros ministros de
Bolsonaro, como Damares Alves, da pasta da Mulher, da
Família e dos Direitos Humanos, e Ricardo Salles, do Meio
Ambiente, também tiveram currículos contestados e
mantiveram o cargo.

Outro nome sondado por Bolsonaro foi o de Renato Feder, atual secretário estadual de Educação no Paraná. O presidente não chegou a anunciá-lo oficialmente, mas o convite foi feito. A decisão, no entanto, foi criticada por “olavistas” e pela base evangélica do governo. Feder acabou
rejeitando a proposta.

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