O produtor rural é quem mais preserva o meio ambiente

O Brasil é hoje o país com a maior quantidade de áreas preservadas e cobrem 66,3% do território nacional.

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O chefe da Embrapa Territorial desmonta a fake news de que a expansão do agronegócio brasileiro representa um perigo para a natureza. Ele concedeu entrevista para a jornalista Branca Nunes da Revista Oeste. 
 
Os verdadeiros mocinhos são apresentados como vilões, espanta-se o agrônomo Evaristo de Miranda, chefe-geral da Embrapa Territorial, um dos maiores conhecedores da preservação e da sustentabilidade da produção agropecuária nacional.
 
A inversão da realidade impede que os produtores rurais sejam vistos como os heróis da história. Com mestrado e doutorado em ecologia pela Universidade de Montpellier, na França, e mais de 50 livros publicados, Miranda está na Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desde 1980.
 
Nas últimas quatro décadas, o paulistano de 68 anos acompanhou de perto a trajetória que transformou um Brasil que importava alimentos no exportador que alimenta quase 2 bilhões de seres humanos espalhados pelo mundo.

Evaristo de Miranda não é um militante político. É um técnico. Os números, mapas e fatos que ele apresenta pulverizam a falácia — propagada por militantes de esquerda, ONGs, artistas, intelectuais, políticos e celebridades estrangeiras — segundo a qual o Brasil lidera o ranking de desmatamentos, queimadas, uso de agrotóxicos e outras agressões ambientais. Definitivamente, não é o que acontece.

O Brasil é hoje o país com a maior quantidade de áreas preservadas. Elas ocupam quase 564 milhões de hectares e cobrem 66,3% do território nacional. Nesse total, 10,4% são unidades de conservação; 13,8%, terras indígenas; e 16,5%, as chamadas terras devolutas e não cadastradas. Outros 25,6% — ou seja, um quarto do país — estão em propriedades rurais privadas. “É como se existissem miniparques nacionais dentro de cada fazenda”, explica Miranda.

Em média, os produtores rurais brasileiros preservam 50% de sua propriedade — a porcentagem determinada por lei varia de acordo com o Estado: em São Paulo, por exemplo, são 20%; na Amazônia, 80%. Isso não ocorre em nenhum outro lugar do planeta.

“Os agricultores dedicam parte significativa de seu patrimônio pessoal para a preservação do meio ambiente sem receber nada por isso”, conta Miranda. “Gastam recursos financeiros próprios para manter essas áreas preservadas e, apesar de tudo isso, não param de ser criticados. Se lá ocorrer uma queimada, se alguém cortar uma árvore ou se entrar gado numa área de preservação permanente, mesmo quando o dono da terra não tem absolutamente nada a ver com isso, ele será responsabilizado e multado.”

Segundo cálculos da Embrapa Territorial baseados no preço da terra em cada município, os proprietários rurais imobilizaram cerca de R$ 3,5 trilhões de seu patrimônio pessoal e fundiário em benefício do meio ambiente em áreas dedicadas à preservação da vegetação nativa. Para manterem e conservarem essas áreas e sua vegetação, esses produtores têm gastos — pagos do próprio bolso — superiores a R$ 15 bilhões por ano em aceiros, cercas, vigilância, plantios etc.

Além disso, a agropecuária brasileira está cada vez mais sustentável. Em mais de 36 milhões de hectares — tanto em pequenas como em médias e grandes propriedades —, o cultivo acontece direto na palha. Ou seja, não se ara mais a terra (técnica que causa erosão, produz grande emissão de gases do efeito estufa e reduz a matéria orgânica do solo). Quase tudo dos animais abatidos é aproveitado — do sangue ao couro, passando por sebo, cascos, vísceras, escamas e penas — na fabricação de cosméticos, ração, biodiesel, vestuário, entre outros produtos. “O que adiantaria produzir um boi orgânico, ecológico, verde, carbono neutro, se jogássemos a carcaça e as vísceras num lixão?”, questiona Miranda. “Todos os resíduos do abate e processamento de frangos, suínos, peixes, caprinos, ovinos e bovinos têm destino certo na indústria da reciclagem e transformam-se em novos produtos. A reciclagem é o elo final da sustentabilidade da pecuária nacional.”

O Brasil produz anualmente 240 milhões de toneladas de grãos, 41,5 milhões de toneladas de frutas, 665 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, 33,6 bilhões de litros de leite, 40 milhões de toneladas de mel e 4 bilhões de dúzias de ovos. Em 2019, foram abatidos 40 milhões de bovinos, 37 milhões de suínos e 6 bilhões de aves. Sobram exemplos de sucesso.

A produção cresce a cada ano sem aumentar a área ocupada na mesma intensidade. “Produzimos cada vez mais, em menos espaço”, resume Miranda. Em 1975, por exemplo, quando as plantações de grãos ocupavam 40 milhões de hectares, a produção não atingia 40 milhões de toneladas. Hoje, a área de cultivo chega a 65 milhões de hectares e a produção foi multiplicada por seis. Nas últimas três décadas, todo ano diminui a área de pastagens no Brasil e aumenta o rebanho, graças aos ganhos de produtividade.

FONTE DA INFORMAÇÃO

Clique para acessar o 2445%20Global%20Protected%20Planet%202016_WEB.pdf

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