Prefeito usava filho para lavar dinheiro desviado

O filho do prefeito tinha 40 imóveis em contratos de gaveta e operava empresa laranja.  Foram encontrados cheques de empresas que tinham contratos com o município, que totalizam 10 milhões de reais.

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Integrantes do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e da Polícia Civil de Canoinhas concederam entrevista coletiva para detalhar a segunda fase da operação Et Pater Filium, desencadeada em Major Vieira, Monte Castelo e Papanduva na manhã desta quinta-feira, 13. Foram presos o prefeito de Major Vieira, Orildo Sevegnini (MDB) e seu filho, Marcus Vinicius Severgnini.

Na abertura da entrevista coletiva, o Subprocurador-Geral de Justiça e Coordenador-Geral do GAECO e do GEAC, Fábio de Souza Trajano, destacou que é a primeira vez que o MPSC concede uma entrevista coletiva, em investigações dessa natureza,  já com o levantamento do sigilo autorizado pelo Poder Judiciário. O que torna possível dar detalhes de toda a investigação e dos motivos que justificaram os mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, em homenagem aos princípios constitucionais da transparência e da publicidade.

“As investigações estão no início e não temos ninguém condenado. Há indícios muito fortes, mas tudo depende ainda de confirmação”, frisou Trajano.

Além das empresas da família Pacheco, a força-tarefa encontrou indícios de fraude em contratos com outras quatro empresas – Planaltina, BR Construções, Derpa Usina de Asfalto e Construções Santa Catarina. Uma caixa com R$ 57,2 mil em dinheiro foi encontrada direcionada à Planaltina. Houve buscas na casa do responsável por esta empresa.

Marcus é agente de Turismo concursado da prefeitura de Major Vieira. Ele foi aprovado em concurso durante um dos mandatos do pai como prefeito. Apesar do salário modesto (R$ 3,5 mil), disse Faria, ele possui 40 imóveis em contrato de gaveta em seu apartamento. 

O filho do prefeito é suspeito de ter usado uma beneficiária do Bolsa Família chamada Maria Ivani de Souza como laranja. “Ela recebeu  o Bolsa Família em 2016, depois ela contrata com a prefeitura de Major Vieira centenas de milhares de reais e grande parte de suas contas pessoais são encontradas na casa do investigado Marcus. Muito provavelmente o Marcus usava a empresa no nome dessa mulher para lavar o dinheiro ilícito que recebia e multiplicar o patrimônio ilícito”, disse o promotor.

Orildo e Marcus seguem detidos na Unidade Prisional Avançada de Canoinhas. “A prisão preventiva não tem prazo, no mínimo até o término das investigações. Há necessidade de avaliação de todos os documentos, oitiva de testemunhas e isso deve levar alguns dias. Até lá é inviável a secessão da prisão preventiva”, contou  Coordenadora Estadual do GEAC, Renato Maia de Faria,

Marina Modesto Rebelo, promotora de Justiça coordenadora do Grupo Especial Anticorrupção (Geac), disse que todo o material apreendido será analisado com bastante cautela e cuidado, especialmente os computadores e celulares.

Trajano chamou a atenção para os valores dos contratos celebrados nos últimos cinco anos entre o município de Major Vieira e as empresas investigadas, que ultrapassam R$ 10 milhões. “Não estou afirmando que temos fraudes em todos eles e que o prejuízo do município seria de R$ 10 milhões, até porque os serviços devem ter sido prestados, porém é um fato que chama a atenção e sem dúvida será devidamente apurado. Se fizermos uma comparação dos R$ 10 milhões mencionados com a realidade do município, que conta com aproximadamente 8 mil habitantes, a arrecadação tributária própria do município, os impostos municipais, é de aproximadamente R$ 1 milhão, ou seja, o valor dos contratos investigados aproxima-se do dobro da arrecadação própria do município no mesmo período“, explica.

 

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