Gastos com acidentes superam R$ 132 bilhões ao ano

COMPARTILHE

Compartilhar no facebook
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no twitter
Compartilhar no telegram
Compartilhar no whatsapp

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgou nesta terça-feira, dia 22, um estudo sobre os impactos socioeconômicos dos acidentes de transporte no Brasil. Segundo o relatório técnico, 479.857 pessoas morreram no trânsito no período de 2007 a 2018. O valor total dos custos dos acidentes chegou a impressionante marca de R$ 1,584 trilhão. A média anual ficou em R$132,028 bilhões. Os valores constantes no documento foram atualizados pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). 

De acordo com o documento, que utilizou dados da World Health Organization (WHO), o Brasil é o terceiro país no mundo em quantidade de mortes no trânsito. Os dados são de 2017. Como resultado, a organização contabilizou 38.651 óbitos no país. O país só é superado pela China, com 150.785, e pela Índia, que teve 58.022 mortes no trânsito. 

A pesquisa foi feita em parceria com a Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal). Em suma, o estudo utilizou dados de mortalidade do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS). Além disso, aplicou o Valor Estatístico da Vida (VEV). A estimativa do índice em dezembro de 2018 estava em R$ 2,26 milhões. 

No relatório técnico, há um gráfico sobre o total de mortes de 1996 a 2018. Houve 204.693 óbitos em acidentes de transporte envolvendo pedestres. De acordo com o estudo, também houve 165.933 mortes envolvendo motocicletas e 162.795 com automóveis.

A quantidade de óbitos envolvendo motocicletas possui várias causas. O estudo indica o aumento da circulação deste tipo de veículo, a baixa qualidade nas vias e os perigos do fluxo de trânsito como as principais. Ou seja, houve um crescimento desproporcional na frota de motocicletas quando comparado ao crescimento populacional. Isso resultou no aumento dos acidentes de transporte.

As regiões Norte e Nordeste lideraram o aumento dos veículos. De acordo com o documento, os fatores que mais influenciaram esta alta foram preços mais baixos, isenções tributárias e menor gasto com combustível e manutenção do veículo. Em outras palavras, o aumento de renda nessas regiões permitiu que muitos condutores adquirissem o veículo, sendo uma opção de baixo custo.

A maioria das mortes em acidentes de transporte é de jovens 

O IPEA ainda destacou a idade das vítimas de acidentes de trânsito no Brasil. De acordo com o documento, há uma unanimidade em apontar a faixa etária entre 18 e 34 anos como a correspondente à maioria dos óbitos no país. Em síntese, a pouca idade é fator fundamental para o resultado. Dirigir alcoolizado, abusar o excesso de velocidade e utilizar celular ao volante são as principais causas dos acidentes envolvendo jovens. 

Além disso, o estudo também traz um gráfico envolvendo óbitos de idoso, que revelou um número bastante elevado. Nesse meio tempo, de 2007 a 2016, houve mais de 66 mil mortes de pessoas a partir dos 60 anos de idade. Algumas das principais razões para estes dados são a reduzida capacidade de reflexo, o uso de medicamentos que possam afetar a capacidade de utilizar as vias com segurança e o maior surgimento de problemas de saúde. 

Estudo traz um panorama para a situação no Brasil 

Em conclusão, o objetivo do relatório, segundo o IPEA, é contribuir para o debate sobre a quantidade e a gravidade dos acidentes de transporte no país. Desta maneira, permite-se a formulação de políticas públicas mais assertivas, que minimizem os custos envolvidos. A pesquisa também pretende dar novas diretrizes às políticas de transporte para que, consequentemente, surjam impactos nos sistemas de saúde e previdenciário.

Comentários